Tendinopatia · POLICE · Return-to-play

Lesões Esportivas:tratamento moderno e retorno ao esporte com critério

Para corredores, crossfitters, ciclistas e praticantes de treino funcional. Protocolo da Dra. Erika Leite (CREFITO-3 nº 125770-F) com carga progressiva (Alfredson/HSR), POLICE em fase aguda, retorno baseado em critérios objetivos. Vinhedo, Valinhos e Itatiba.

Ver o tratamento
Dra. Erika Leite atendendo paciente com lesão esportiva em Vinhedo SP

Resumo rápido

Tendinopatia (não “tendinite”) responde a carga progressiva, não a repouso prolongado nem AINEs crônicos. Fase aguda: POLICE (não mais RICE). Retorno ao esporte: critérios objetivos (força >90% lado contralateral), não tempo. Cada modalidade tem seu padrão de lesão — prevenção é específica.

Tendinite × tendinopatia: a mudança de conceito

Por décadas, dor crônica em tendões foi chamada de “tendinite” — termo que sugere inflamação aguda. Pesquisas modernas (Cook & Purdam, modelo continuum) mostraram que a maioria dos quadros crônicos não é primariamente inflamatória — é falha de adaptação do colágeno ao estímulo de carga. O termo correto hoje é tendinopatia.

Por que isso importa? Porque o tratamento mudou completamente:

❌ Antigo (errado)

  • • Repouso prolongado
  • • Anti-inflamatórios crônicos
  • • “Esperar a inflamação passar”
  • • Voltar quando “não doer mais”

✅ Atual (evidência)

  • • Carga progressiva (Alfredson, HSR)
  • • AINEs apenas pontuais (não crônicos)
  • • Adaptação do colágeno em 8-12 semanas
  • • Retorno por critérios objetivos

As 12 lesões esportivas mais comuns

1

Tendinopatia patelar (joelho do saltador)

2

Tendinopatia de Aquiles

3

Fascite plantar

4

Síndrome da dor patelofemoral (joelho de corredor)

5

Síndrome da banda iliotibial (ITB)

6

Condromalácia patelar

7

Entorse de tornozelo

8

Lesão LCA / LCM / menisco

9

Ombro do nadador (impacto subacromial)

10

Epicondilite lateral (cotovelo de tenista)

11

Pubalgia atlética

12

Periostite tibial (canelite)

Lesões mais comuns por modalidade

Corrida

SDPF, banda iliotibial, fascite plantar, canelite, tendinopatia de Aquiles

CrossFit

Lesões de ombro (impacto, instabilidade), lombalgia, lesões de joelho, punho

Ciclismo

Dor patelofemoral, lombalgia, cervicalgia, síndrome do túnel de Guyon

Treino funcional

Entorse de tornozelo, lesões de ombro e punho, lombar

Futebol

LCA, lesão muscular de isquiotibiais, pubalgia, entorse de tornozelo

Tenis/raquetes

Epicondilite lateral, lesões de ombro, dor lombar

POLICE substituiu RICE

Por décadas, fase aguda de lesão era manejada com RICE (Rest, Ice, Compression, Elevation). Em 2012, Bleakley propôs POLICE — substituindo o “Rest” por “Optimal Loading” — porque carga adequada precoce acelera a recuperação.

P

Protect

Proteger contra novas lesões

OL

Optimal Loading

Carga ideal precoce, não repouso total

I

Ice

Gelo para dor e edema

C

Compression

Compressão para reduzir edema

E

Elevation

Elevação acima do nível do coração

Carga progressiva: o gold standard

Em tendinopatias, dois protocolos lideram a evidência:

Protocolo Alfredson (excêntrico)

3 séries de 15 repetições excêntricas, 2x ao dia, 7 dias por semana, durante 12 semanas. Pode permitir leve dor durante o exercício. Validado para tendinopatia de Aquiles e patelar.

Heavy Slow Resistance (HSR)

Cargas pesadas, movimento lento (3 segundos concêntrico + 3 excêntrico), 3x por semana, durante 12 semanas. Beyer (2015) mostrou eficácia equivalente ao Alfredson com melhor adesão.

Lesão muscular — graus I, II e III

GrauDescriçãoRecuperação típica
I (leve)Estiramento de fibras, dor leve, mantém função7-14 dias
II (moderada)Ruptura parcial, dor significativa, perda de força3-6 semanas
III (grave)Ruptura completa, perda funcional, gap palpável3-6 meses (pode exigir cirurgia)

Return-to-play (RTP): critérios, não tempo

“Quando posso voltar?” é a pergunta mais comum — e a resposta nunca é “daqui a X semanas”. É baseada em critérios objetivos:

  • Força muscular ≥ 90% do lado contralateral (regra dos 90%).
  • Hop tests: single hop, triple hop, crossover hop — assimetria <10%.
  • Y-Balance Test: avalia controle dinâmico em 3 direções.
  • Ausência de dor em testes provocativos específicos da lesão.
  • Progressão de carga sem flare nas semanas anteriores ao retorno.

Em LCA: retorno antes de 9 meses dobra o risco de recidiva. Não há atalho — voltar antes da hora compromete a próxima temporada inteira.

Anti-inflamatórios: cuidado em tendinopatias

Em fase aguda muito intensa, AINEs podem ajudar no controle de dor por curto prazo (3-5 dias). Mas em tendinopatias crônicas, uso prolongado é contraindicado — interferem na atividade dos tenócitos e na adaptação do colágeno, prejudicando a recuperação que se busca com o programa de carga.

Em lesões musculares, padrão similar: uso pontual ok, prolongado atrapalha cicatrização. Sempre prescrição médica e por curto prazo.

Prevenção baseada em evidência

Aquecimento dinâmico estruturado (RAMP, FIFA 11+, Knee Control)

Força específica para o esporte praticado

Controle de carga semanal (regra dos 10% — não aumentar volume mais que isso por semana)

Periodização com semanas de descarga programadas

Sono ≥ 7-8 horas e recuperação adequada

Análise de corrida/biomecânica em corredores

Tratar disfunções pequenas antes que se transformem em lesão maior

Equipamento adequado (tênis, bike fit, palmilha quando indicada)

Bandeiras vermelhas — pronto-socorro

  • 🚨 Incapacidade de apoiar peso (regra de Ottawa para tornozelo/joelho)
  • 🚨 Deformidade visível da articulação
  • 🚨 Edema imediato com hemartrose (sangramento articular)
  • 🚨 Parestesia ou ausência de pulso distal
  • 🚨 Dor desproporcional ao trauma — suspeita de síndrome compartimental
  • 🚨 Suspeita de fratura por estresse com dor noturna progressiva

Aprofunde-se

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes sobre lesões esportivas

As mais frequentes: tendinopatia patelar, tendinopatia de Aquiles, fascite plantar, síndrome da dor patelofemoral (joelho de corredor), síndrome da banda iliotibial, condromalácia patelar, entorse de tornozelo, lesões de LCA/LCM/menisco, ombro do nadador, epicondilite lateral (cotovelo de tenista), pubalgia atlética e periostite tibial (canelite). A modalidade praticada determina os padrões.
Dra. Erika Leite, fisioterapeuta CREFITO-3 nº 125770-F, especialista em tratamento de coluna em Vinhedo SP

Sobre a autora deste conteúdo

Dra. Erika Leite

Fisioterapeuta clínica com mais de 16 anos de experiência dedicada ao tratamento de coluna e dor crônica. Formada pela UNG, Pós-graduada em Ortopedia e Traumatologia, certificada em McKenzie (MDT), Maitland, Mulligan e Quiropraxia Clínica. Atende em Vinhedo, Valinhos e região.

CREFITO-3 nº 125770-F
Diploma McKenzie (MDT)
Maitland + Mulligan
16+ anos clínicos
Conheça a formação completa →

Volta segura, performance preservada.

Avaliação biomecânica, plano de carga progressiva e retorno ao esporte com critérios objetivos. Sem atalhos, sem “descansa que melhora”.

Como chegar ao consultório